Carlos Alberto Torres, com a taça: “É pesada pra caramba” (foto: Lycio Vellozo Ribas)
Félix (goleiro), Carlos Alberto Torres (lateral), Clodoaldo (volante), Rivellino (meia) e Edu (ponta-esquerda). Cinco campeões mundiais com a seleção brasileira em 1970 estiveram reunidos ontem, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O motivo do encontro: um evento que trouxe a taça do Mundo, que estará em disputa na Copa do Mundo deste ano, para uma rápida exposição no Brasil. O troféu está em um tour pelo mundo. Para ela ficar no Brasil por um longo tempo, só há uma maneira: ser o campeão mundial na África do Sul. Cada um dos ex-campeões, à sua maneira, deu um palpite para o técnico Dunga.
O treinador da seleção fará hoje a convocação para o amistoso de 3 de março, contra a Irlanda. É o último jogo programado para antes do embarque à Copa do Mundo da África do Sul. Os nomes que lá estiverem deverão ser os mesmos presentes na listagem definitiva para o Mundial.
A rigor, quatro dos cinco ex-craques pediram jogadores na lista de Dunga. A exceção foi o ex-goleiro Félix, que disputou as seis partidas na campanha do tricampeonato. “(O time) Está bem servido de goleiros. Tem bastante que podem vestir a camisa 1”, falou ele. “A minha função foi a que mais evoluiu no futebol”.
Dois dos ex-jogadores apontaram o atacante Neymar, do Santos, como uma possível surpresa na lista final. “Se ele continuar jogando da maneira que está, o Neymar jogaria (na seleção)”, afirmou o ex-ponta Edu, reserva em 1970. “O grupo está praticamente fechado, mas, de repente, numa jogada inteligente, como aconteceu em 94 com o Ronaldo, e em 2002 com o Kaká, acredito que chamar um desse jogadores jovens, na minha opinião o Neymar, para ganhar experiência no grupo, seria bom”, disse o ex-lateral Carlos Alberto Torres, que também jogou todas as partidas da seleção em 1970. “Vamos precisar de renovação. Alguns que estão na seleção de 2010 dificilmente estarão em 2014”.
Já Rivellino, que usou a camisa 11 em 1970, mas envergou a 10 nas Copas de 1974 e 1978, defendeu a presença Ronaldinho Gaúcho, do Milan — outro camisa 10 clássico. “Eu levaria, mas não sou o Dunga. Nesse setor não temos criação, e num campeonato tão curto, faria diferença”, afirmou ele. “Em outras Copas, sempre tivemos esse jogador. Hoje não temos um jogador com muita criação. Não digo que vá ser o titular, mas vai ser útil”.
Clodoaldo, por sua vez, acredita que Robinho pode ser o diferencial criativo. “Ele trouxe alegria ao Santos”, disse, referindo-se à atuação do atacante na partida de domingo, contra o São Paulo. Robinho, de letra, fez o gol da vitória santista por 2 a 1. Rivellino diz ter dúvidas. “Vamos ver o Robinho, se vai encontrar seu futebol, mas não sabemos”.
Pitacos à parte, os ex-craques defenderam o trabalho de Dunga. “Teve uma época que a torcida pedia a cabeça dele. O presidente (da CBF, Ricardo Teixeira) bancou. Se você sabe dizer o nome de oito jogadores titulares, é porque esse time é bom”, afirmou Carlos Alberto — dos cinco, foi o único que teve carreira razoavelmente longeva como treinador. “Conhecemos o Dunga, é um treinador sério, não vai deixar que o time relaxe”, opinou o ex-atacante Edu.